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Como fazer um contrato: redigir, assinar e guardar a prova

Como fazer um contrato passo a passo: os elementos do contrato no Código Civil, quando a forma escrita é exigida, as cláusulas certas e a assinatura.

Como fazer um contrato: uma empresária lê a última página do contrato impresso em sua mesa antes de assinar

Como fazer um contrato: a resposta curta

Para fazer um contrato você precisa de duas partes que concordem com os mesmos termos, um objeto lícito sobre o qual recaia o acordo e pessoas com capacidade para se obrigar. Depois, é preciso escrever esses termos com clareza suficiente para que um estranho consiga cobrá-los. Esse é o núcleo jurídico de como fazer um contrato no Brasil, e está no art. 104 do Código Civil. O resto é detalhe, e é no detalhe que os acordos desandam.

Quem pesquisa como redigir um contrato costuma ter diante de si uma prestação de serviço, uma venda ou um projeto freelance. Este guia segue a ordem em que o trabalho acontece: o teste legal, oito passos de redação, as cláusulas, a assinatura e o que você faz depois de assinar. Prefere não começar de uma folha em branco? A biblioteca de modelos da Chaindoc tem contratos de serviço, NDA, trabalho, fornecedor, desenvolvimento web e locação que você edita no navegador.

Elementos do contrato e validade

Um contrato é uma promessa que a lei faz cumprir. O Código Civil não traz uma lista chamada "os cinco elementos", mas o art. 104 diz o que a validade do negócio jurídico requer: agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei. Na prática, os elementos do contrato se resumem a cinco verificações:

  • Proposta. Uma parte oferece termos concretos: o quê, quanto, até quando. "Eu refaço o seu site por R$ 20.000, com entrega até 1º de março" é uma proposta, e ela obriga o proponente, se o contrário não resultar dos seus termos, da natureza do negócio ou das circunstâncias (art. 427). "Vamos trabalhar juntos no site" não é.
  • Aceitação. A outra parte aceita os termos como estão. Se você muda o preço na resposta, não aceitou nada: a aceitação com adições, restrições ou modificações importa nova proposta (art. 431).
  • Capacidade. Os menores de 16 anos são absolutamente incapazes, e os maiores de 16 e menores de 18 são relativamente incapazes (arts. 3º e 4º); a menoridade cessa aos 18 anos (art. 5º). Quem assina por uma empresa precisa de poderes para obrigá-la.
  • Objeto lícito, possível, determinado ou determinável: um contrato para fazer algo ilícito não vale, por mais bem redigido que seja (art. 104, II).
  • Forma prescrita ou não defesa em lei (art. 104, III). Em regra a lei não exige forma especial (art. 107); quando exige, a forma passa a condição de validade.

Dois pontos do direito brasileiro merecem destaque. Primeiro, não existe "consideration" (contraprestação) como requisito, e a liberdade contratual é exercida nos limites da função social do contrato (art. 421); as partes devem guardar probidade e boa-fé na conclusão e na execução (art. 422). Segundo, nos contratos civis e empresariais presumem-se a paridade e a simetria entre as partes até que elementos concretos mostrem o contrário, e a alocação de riscos que elas definiram deve ser respeitada (art. 421-A). Isso favorece quem escreve com cuidado. Conta também a intenção: "eu venderia meu carro por dez reais", dito no jantar, tem preço e objeto e não obriga ninguém.

O que quase nenhum guia diz: nenhum desses elementos precisa de papel. Um acordo de palavra pode cumprir todos. Escrever dá prova e, em alguns casos, a lei faz da escrita uma condição.

Não sabe se o seu documento já é um contrato? Nosso artigo sobre quando um memorando de entendimento já obriga passa por cartas de intenção, memorandos e minutas "sujeitas a contrato".

Contrato verbal tem validade?

Em regra, sim. A validade da declaração de vontade não depende de forma especial, a não ser que a lei expressamente a exija (art. 107 do Código Civil). Um contrato verbal que reúne os elementos do art. 104 é um contrato, e as partes continuam obrigadas pela boa-fé (art. 422). O silêncio também pode valer como anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária declaração de vontade expressa (art. 111).

A exceção é a forma que a lei exige. Para constituir, transferir, modificar ou renunciar direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País, a escritura pública é essencial à validade, salvo disposição legal em contrário (art. 108). A fiança precisa ser escrita (art. 819), e a doação se faz por escritura pública ou instrumento particular (art. 541). E, se você quer poder executar a dívida sem antes ganhar um processo de conhecimento, o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas é título executivo extrajudicial (CPC, art. 784, III). Nos títulos constituídos por meio eletrônico, o § 4º admite qualquer modalidade de assinatura eletrônica prevista em lei e dispensa as testemunhas quando um provedor de assinatura confere a integridade.

Em Portugal, a lógica é parecida. A validade da declaração negocial não depende de forma especial, salvo quando a lei a exigir (art. 219 do Código Civil português), a falta da forma legal gera nulidade (art. 220), e a compra e venda de imóveis exige escritura pública ou documento particular autenticado (art. 875).

Forma livre, porém, não resolve o problema da prova. Um contrato verbal que você não consegue demonstrar vale quase o mesmo que um contrato que nunca existiu.

Contratos para os quais a lei brasileira exige forma escrita ou pública

Tipo de negócioO que a regra exigeOnde está a regra

Direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 salários mínimos

Escritura pública, essencial à validade, salvo disposição legal em contrário

Código Civil, art. 108

Fiança

Por escrito; não admite interpretação extensiva

Código Civil, art. 819

Doação

Escritura pública ou instrumento particular; a doação verbal só vale para bens móveis de pequeno valor, com entrega imediata

Código Civil, art. 541

Título executivo extrajudicial entre particulares

Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; na forma eletrônica, qualquer assinatura eletrônica prevista em lei, sem testemunhas se um provedor confere a integridade

CPC, art. 784, III e § 4º

Portugal: compra e venda de imóvel

Escritura pública ou documento particular autenticado

Código Civil português, art. 875

Portugal: falta da forma legal

Nulidade da declaração negocial, salvo outra sanção prevista na lei

Código Civil português, art. 220

Todo o resto: prestação de serviços, compra e venda de bens móveis

Forma livre, mas a prova fica por sua conta

Código Civil, art. 107 (Portugal: art. 219)

Como fazer um contrato em oito passos

Se você está descobrindo como redigir um contrato do zero, esta é a ordem. Pular direto para o texto padrão antes dos passos 1 a 3 é como saem contratos precisos em tudo, menos no acordo.

  1. Escreva o acordo em um parágrafo

    Antes de qualquer cláusula, escreva em frases normais quem faz o quê, por quanto e até quando. Se o acordo não cabe em um parágrafo, você ainda não tem um. Mande esse parágrafo primeiro para a outra parte: é o jeito mais barato de descobrir que vocês não estão de acordo.

  2. Identifique as partes com exatidão

    Use a razão social ou o nome completo, o tipo societário (Ltda., S.A., MEI), CNPJ ou CPF, a sede e um endereço para notificações. Depois defina nomes curtos, como "Contratante" e "Contratada", e use-os sempre. Um erro comum: contratar com o nome fantasia ou com uma holding, em vez de com a empresa que de fato vai pagar.

  3. Defina o escopo e as entregas

    Diga o que está incluído e o que não está: quantidades, especificações, formatos de arquivo, número de rodadas de ajustes e como a outra parte aceita o trabalho. Especificações longas vão em um anexo. Assim o contrato continua legível, e o anexo pode ser atualizado por uma alteração assinada.

  4. Fixe o preço e as condições de pagamento

    Escreva o valor, a moeda e o cronograma: entrada, etapas, saldo final. Acrescente datas de vencimento, multa e juros de mora e o que acontece se o pagamento não chegar, como uma pausa no trabalho. Se você fatura depois da entrega, decida agora o prazo de pagamento de 30 dias ou um prazo menor, e não quando a fatura já estiver atrasada.

  5. Fixe as datas

    Data de início, etapas, data de término ou prazo, renovação e prazos de aviso. Se um prazo importa de verdade, escreva o que acontece quando ele é descumprido. Uma data sem consequência é um desejo.

  6. Decida como o contrato termina e quem assume o risco

    Rescisão por descumprimento e rescisão sem motivo, com aviso prévio, prazo para sanar a falha, limite de responsabilidade, indenização, titularidade do que foi criado e confidencialidade. Essas cláusulas parecem texto de praxe até a relação azedar, e aí são a única parte que alguém lê. A tabela abaixo diz o que cada uma precisa cobrir.

  7. Escolha a lei e o foro

    Indique a lei aplicável e onde ficam os conflitos: justiça comum ou arbitragem. O foro de eleição só produz efeito se constar de instrumento escrito, aludir expressamente a determinado negócio jurídico e guardar pertinência com o domicílio de uma das partes ou com o local da obrigação (CPC, art. 63, § 1º). A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira (Lei 9.307/1996, art. 4º); no contrato de adesão, só vale se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar expressamente, por escrito, em documento anexo ou em negrito. Muitos contratos acrescentam uma etapa antes: notificação por escrito e 30 dias para conversar.

  8. Revise, assine e entregue uma cópia a cada parte

    Leia a versão final do começo ao fim, não só as alterações. Confira nomes, números e blocos de assinatura, depois envie para assinatura eletrônica ou assine no papel. Cada parte recebe a versão assinada, não um rascunho.

A assinatura é o passo que você não desfaz

Tudo o que vem antes da assinatura é negociável. Depois, você precisa do acordo da outra parte para mudar uma única palavra, e desfazer o contrato exige um distrato feito pela mesma forma exigida para o contrato (art. 472 do Código Civil). Por isso, o erro irreversível não é uma cláusula que faltou, e sim assinar, ou começar a trabalhar, sobre uma versão que você não leu até o fim. Compare o arquivo final com o último rascunho combinado, confira cada nome e cada número e só então assine. Se o trabalho precisa começar antes, deixe isso em uma carta curta assinada, não em uma ligação.

Como redigir as cláusulas de um contrato

Uma cláusula tem uma função: responder a uma pergunta antes que alguém a faça. De quem é o código? O que acontece se a entrega atrasar? Cada parte pode sair, com que aviso? Se o texto não responde, o juiz aplica as regras supletivas, que raramente coincidem com o que cada lado imaginava. E a lei manda atender mais à intenção das partes do que ao sentido literal das palavras (art. 112 do Código Civil).

Nem todo contrato precisa de todas as cláusulas. Um contrato freelance de duas páginas dispensa a indenização que uma licença de software exige. Ainda assim, estas dez cobrem a maioria dos negócios, e a terceira coluna mostra onde cada uma costuma falhar.

Cláusulas de um contrato: o que cada uma precisa dizer

CláusulaO que precisa dizerO erro de redação mais comum

Partes e contexto

Nomes legais, endereços, por que o contrato existe

Nome fantasia em vez da pessoa jurídica registrada

Escopo e entregas

O que é entregue, com que padrão e como é aceito

"Suporte contínuo" sem horas nem resultados

Preço e pagamento

Valor, cronograma, datas de vencimento, multa e juros de mora

Nenhuma consequência para o pagamento atrasado

Prazo e rescisão

Início, fim, renovação, aviso prévio, rescisão por descumprimento e sem motivo

Uma renovação automática que ninguém acompanha

Propriedade intelectual

De quem é a obra e a partir de quando (muitas vezes após o pagamento integral)

O silêncio: sem cessão por escrito, os direitos costumam ficar com quem criou a obra

Confidencialidade

O que é confidencial, por quanto tempo, as exceções usuais

"Toda informação", para sempre, sem exceções

Responsabilidade e indenização

Um limite, os danos excluídos, quem arca com reclamações de terceiros

Responsabilidade ilimitada em um trabalho pequeno

Caso fortuito e força maior

Quais eventos justificam o atraso, como avisar e quando cada parte pode sair

Uma lista que esquece justamente o evento que acontece

Lei aplicável e conflitos

Qual lei, qual foro ou arbitragem, notificação prévia por escrito

Cada parte presume que vale o seu foro

Acordo integral, alterações e divisibilidade

O documento é todo o acordo; alterações só por escrito assinado; uma cláusula nula não derruba as demais

Promessas soltas em e-mails que contradizem o texto

Palavras que geram disputas

"Razoável", "o quanto antes", "melhores esforços", "padrão de mercado", "a contento do cliente". Cada uma entrega a definição a quem ler o contrato depois, e esse alguém pode ser um juiz. Troque-as por números: em 10 dias úteis, duas rodadas de ajustes, resposta em um dia útil. Se não dá para pôr um número, diga quem decide e como.

Quando a outra parte devolve alterações

Escrever contratos é, em boa parte, reescrever. Quem responde a uma proposta alterando-a não a aceita: a aceitação com adições, restrições ou modificações importa nova proposta (art. 431 do Código Civil). O inverso também vale. Ao assinar a versão que volta, você aceita a nova proposta com todas as letras miúdas. O silêncio, por sua vez, importa anuência só quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária declaração expressa (art. 111). Se cada parte ainda anexa as suas próprias condições gerais, uma proposta com as do fornecedor e um pedido com as da área de compras, as cláusulas se contradizem e será um juiz a decidir qual vale. O resultado é um contrato que ninguém escreveu.

A resposta prática é o controle de versões. Numere e date cada rascunho. Responda a cada alteração por escrito, aceitando ou contrapropondo, e não deixe nenhuma passar por telefone. Depois assine um único arquivo final, não "a versão de terça com os ajustes da Maria".

Muitas brigas de contrato não são sobre uma cláusula ruim. São sobre qual rascunho era o último.

Como fazer um contrato com modelo no Word, DocuSign ou Chaindoc

Há três caminhos comuns, e muita gente usa mais de um.

Fazer um contrato no Word ou no Google Docs com um modelo

É grátis e familiar. O que dá errado é o que ninguém vê: um modelo escrito para outro país, cláusulas que não combinam com o seu acordo, alterações rastreadas esquecidas no arquivo e nenhum registro de quem assinou qual versão. Há ainda um ponto brasileiro. Se você usa o mesmo modelo em muitos contratos e o impõe sem espaço para negociar, ele tende a funcionar como contrato de adesão: as cláusulas ambíguas ou contraditórias se interpretam a favor do aderente (art. 423 do Código Civil), e são nulas as que estipulam renúncia antecipada a direito resultante da natureza do negócio (art. 424). Entre empresas, a lei presume o contrato paritário e simétrico (art. 421-A), e um modelo imposto pode ser justamente o elemento concreto que afasta essa presunção. Um modelo poupa digitação, não raciocínio. Quem o preenche ainda precisa cumprir os passos 1 a 7.

Um serviço de assinatura eletrônica como o DocuSign

Um contrato assinado pelo DocuSign continua sendo o contrato que você escreveu. Serviços como o DocuSign recebem o seu arquivo, coletam as assinaturas e guardam um registro da assinatura. Esse passo muda como o contrato é celebrado e arquivado, não o que ele diz.

Chaindoc, do modelo à assinatura

Na Chaindoc você parte de um modelo que edita no navegador ou envia um rascunho escrito em outro lugar. Nos dois casos, você cria o documento na Chaindoc e o envia para assinatura do mesmo lugar; as versões anteriores ficam no histórico do documento. O plano Free inclui 5 assinaturas por mês e não pede cartão. Para ser sincero, a ferramenta importa menos que a redação: qualquer um dos três caminhos produz um contrato válido se os passos 1 a 8 foram bem feitos.

Como fazer um contrato: dois empresários revisam o rascunho impresso de um contrato em uma mesa de reunião

Leia o rascunho junto com a outra parte antes de assinar. Corrigir algo nesta mesa custa minutos; a mesma correção depois da assinatura exige um aditivo.

Como fazer um contrato e assiná-lo: quem assina, em que ordem e o que o registro prova

Um contrato vale o que vale a assinatura nele, e a assinatura vale o que vale o poder de quem assina. Quando uma empresa assina, o bloco de assinatura deve mostrar o nome da pessoa, o cargo e a empresa que ela representa, mais a data. Se quem assina do outro lado não é sócio-administrador nem procurador, é razoável pedir o contrato social ou a procuração que comprove seus poderes.

Assinaturas eletrônicas

Entre particulares, a regra está na MP 2.200-2/2001: os documentos eletrônicos são considerados documentos públicos ou particulares para todos os fins legais (art. 10), e a medida não impede outro meio de comprovar a autoria e a integridade, inclusive certificados não emitidos pela ICP-Brasil, desde que as partes o admitam como válido ou que o aceite a pessoa a quem o documento for oposto (art. 10, § 2º). As declarações em documentos produzidos com certificado ICP-Brasil, em compensação, presumem-se verdadeiras em relação aos signatários (§ 1º). Ou seja, o certificado ICP-Brasil dá uma presunção a mais, mas o contrato não depende dele.

A Lei 14.063/2020 define as assinaturas eletrônicas simples, avançada e qualificada (art. 4º), mas o capítulo que as regula vale para a interação com entes públicos e não se aplica à relação entre particulares (art. 2º, parágrafo único, II, a). Serve de referência para entender os níveis de confiança, não de exigência para o seu contrato. Em Portugal valem o art. 25 do regulamento eIDAS e o Decreto-Lei n.º 12/2021: uma assinatura eletrônica não perde o efeito jurídico só por ser eletrônica, e a qualificada equivale à manuscrita.

Ordem de assinatura e identidade

Na Chaindoc, uma solicitação normal chega a todos os signatários ao mesmo tempo. Se as assinaturas precisam seguir uma ordem fixa, as rotas de aprovação do plano Business resolvem isso. Em uma operação de alto valor, você pode incluir uma verificação de identidade (KYC) opcional para um signatário, nos planos pagos.

O que o registro prova

A Chaindoc calcula o hash do arquivo no upload, grava o hash da versão em uma blockchain pública quando você publica e registra a prova de cada signatário quando a assinatura termina. Assim você mostra depois que o arquivo assinado é o que foi enviado e quando foi assinado. Isso não prova que as condições eram justas nem que o signatário tinha poderes para obrigar a empresa, por isso os parágrafos acima continuam valendo. Nosso guia sobre o que uma trilha de auditoria registra cobre o resto.

Comece por um modelo de contrato, não por uma folha em branco

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Ver modelos de contrato

Depois de assinar: alterar, guardar, renovar

Assinar abre a vida do contrato, não encerra o seu trabalho. As alterações precisam de novo acordo das partes, de preferência por escrito e assinado por ambas; para desfazer o contrato vale o distrato, feito pela mesma forma exigida para o contrato (art. 472 do Código Civil). Guarde cada alteração em um documento assinado, ao lado do original. Nosso guia sobre quando um aditivo basta para incluir novas condições explica quando o aditivo serve e quando é preciso um contrato novo.

Guarde o contrato assinado durante toda a vigência e pelo tempo em que ainda possa haver cobrança. O empresário e a sociedade empresária devem conservar em boa guarda a escrituração, a correspondência e os demais papéis da atividade enquanto não ocorrer prescrição ou decadência quanto aos atos neles consignados (art. 1.194). A prescrição geral é de dez anos, quando a lei não fixa prazo menor (art. 205), e a pretensão de cobrar dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular prescreve em cinco anos (art. 206, § 5º, I). Anote as datas de renovação e de aviso no dia em que assinar, porque o contrato não vai lembrar você. E, se a outra parte deixa de cumprir, os passos do nosso guia sobre o que fazer quando há quebra de contrato começam pelos documentos da coluna da direita da tabela abaixo.

O ciclo de vida do contrato: o que você faz e o que guarda

EtapaO que você fazO que guardar

Rascunho

Resumo do acordo em um parágrafo, primeira minuta do contrato, revisão interna

Cada versão, numerada e datada

Negociação

Aceitar ou contrapropor cada alteração por escrito

O comparativo ou o e-mail que encerrou cada ponto

Assinatura

Todas as partes assinam a mesma versão final

O arquivo assinado, o registro da assinatura, os dados dos signatários

Execução

Entregar, faturar, aceitar o trabalho

Termos de aceite, notas fiscais, comprovantes de pagamento

Alteração

Alterar ou incluir um aditivo assinado por ambas as partes

Cada alteração assinada, arquivada ao lado do original

Renovação ou fim

Avisar como o contrato manda, antes do prazo

O aviso e a prova de que foi entregue

Disputa

Pôr o problema por escrito e seguir a cláusula de conflitos

Tudo o que está acima, em ordem

Como fazer um contrato que se possa cobrar: a última conferência

Passe por esta lista antes de enviar qualquer coisa para assinatura:

  1. 1.
    Um estranho conseguiria dizer, só pelo texto, quem deve o quê a quem e até quando?
  2. 2.
    Partes: nome completo e tipo societário, e signatários com poderes para obrigar a empresa.
  3. 3.
    Prestação e preço estão descritos dos dois lados, e o preço é um número.
  4. 4.
    O contrato está entre os que a lei manda fazer por escrito ou por escritura pública (imóveis, fiança, doação)? Então essa forma foi cumprida, mesmo que seja no papel ou no cartório.
  5. 5.
    Palavras vagas trocadas por números ou por um decisor com nome.
  6. 6.
    Rescisão, responsabilidade, propriedade intelectual e lei aplicável estão no texto, não só preço e escopo.
  7. 7.
    Todas as partes terminam com o mesmo arquivo final assinado.

Se todas as linhas passam, você sabe como fazer um contrato que se sustenta em um negócio comum.

Informação geral, não aconselhamento jurídico

Este guia explica como o direito dos contratos funciona em termos gerais no Brasil, com uma referência a Portugal; não é conselho sobre o seu acordo, e há regras especiais para consumidores, locação e relações de trabalho. Contrate um advogado quando o que está em jogo justificar: imóveis, participação societária, condições de trabalho em setor regulado, operação internacional, valor alto ou uma contraparte cujo advogado escreveu o primeiro rascunho.

Fontes consultadas para este guia

Os textos legais remetem ao texto oficial no Planalto, no portal da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa ou no EUR-Lex. Conferimos os artigos citados em 14 de outubro de 2026.

  1. 1.Código Civil (Lei 10.406/2002), arts. 104, 107 e 108: validade e forma do negócio jurídico · Presidência da República, PlanaltoRequisitos de validade, forma livre e escritura pública para imóveis acima de 30 salários mínimos. Conferido em 14/10/2026
  2. 2.Código Civil, arts. 421, 421-A e 422: liberdade contratual, paridade e boa-fé · Presidência da República, PlanaltoFunção social do contrato, presunção de paridade e simetria nos contratos civis e empresariais, probidade e boa-fé. Conferido em 14/10/2026
  3. 3.Código Civil, arts. 111, 112, 427 e 431: proposta, aceitação e interpretação · Presidência da República, PlanaltoA proposta obriga o proponente; aceitação com modificações importa nova proposta; silêncio e intenção. Conferido em 14/10/2026
  4. 4.Código Civil, arts. 423 e 424: contratos de adesão · Presidência da República, PlanaltoInterpretação a favor do aderente e nulidade da renúncia antecipada a direito. Conferido em 14/10/2026
  5. 5.Código Civil, arts. 472, 541 e 819: distrato, doação e fiança · Presidência da República, PlanaltoO distrato segue a forma do contrato; doação por escritura ou instrumento particular; fiança por escrito. Conferido em 14/10/2026
  6. 6.Código Civil, arts. 205, 206 e 1.194: prescrição e guarda de documentos · Presidência da República, PlanaltoPrescrição de dez anos e de cinco anos para dívidas líquidas; dever do empresário de conservar a escrituração e a correspondência. Conferido em 14/10/2026
  7. 7.Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), arts. 63 e 784: foro de eleição e título executivo · Presidência da República, PlanaltoRequisitos do foro de eleição; documento particular com duas testemunhas e assinatura eletrônica em título executivo. Conferido em 14/10/2026
  8. 8.Lei 9.307/1996, art. 4º: cláusula compromissória · Presidência da República, PlanaltoA cláusula compromissória é estipulada por escrito; regra especial para contratos de adesão. Conferido em 14/10/2026
  9. 9.Medida Provisória 2.200-2/2001, art. 10: documentos eletrônicos · Presidência da República, PlanaltoDocumentos eletrônicos como documentos públicos ou particulares; outros meios de comprovar autoria e integridade, se as partes os admitirem. Conferido em 14/10/2026
  10. 10.Lei 14.063/2020, arts. 2º e 4º: assinaturas eletrônicas · Presidência da República, PlanaltoClassificação em assinatura simples, avançada e qualificada; o capítulo não se aplica à interação entre particulares. Conferido em 14/10/2026
  11. 11.Código Civil português, arts. 219, 220 e 875: forma dos negócios · Procuradoria-Geral Distrital de LisboaLiberdade de forma, nulidade por inobservância da forma legal e forma da compra e venda de imóveis. Conferido em 14/10/2026
  12. 12.Regulamento (UE) n.º 910/2014 (eIDAS), art. 25: efeitos jurídicos das assinaturas eletrônicas · Serviço das Publicações da União Europeia, EUR-LexUma assinatura eletrônica não perde o efeito jurídico só por ser eletrônica; a qualificada equivale à manuscrita
Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Respostas principais sobre a Chaindoc e fluxos seguros de assinatura de documentos.

Sim. A lei brasileira não exige advogado para redigir a maioria dos contratos, e muitos acordos pequenos de negócio são escritos sem um. Você precisa de um acordo claro, termos específicos o bastante para serem cobrados e cláusulas sobre rescisão, responsabilidade, titularidade do que foi criado e conflitos. Um modelo ajuda na estrutura. Pague uma revisão quando houver imóvel, participação societária, valor alto, relação de trabalho regulada ou outro país; costuma custar menos que consertar um contrato ruim.

Segundo o art. 104 do Código Civil, a validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei. Na prática: proposta, aceitação, capacidade das partes, objeto lícito e a forma exigida, quando houver.

Escreva o acordo em um parágrafo e mande para a outra parte. Depois identifique as partes, defina escopo e entregas, fixe preço e prazos de pagamento, ponha datas, decida como o contrato termina e quem assume o risco, escolha lei e foro e revise tudo antes de assinar. São os oito passos acima. Escreva com números e nomes concretos, não com "razoável" ou "as partes".

Em regra, sim. Se reúne os elementos do art. 104, o contrato obriga mesmo sem papel (art. 107 do Código Civil). As exceções são os negócios para os quais a lei exige uma forma, como a compra de imóvel acima de 30 salários mínimos (art. 108). O problema prático é a prova: sem documento, você discute o que foi dito.

Só quando a lei exige: a escritura pública é obrigatória para imóveis acima de 30 salários mínimos (art. 108). Para um contrato de serviços ou de venda comum, bastam as assinaturas de quem tem poderes. As duas testemunhas servem a outro fim: com elas, o documento particular assinado pelo devedor vira título executivo extrajudicial (CPC, art. 784, III), e na forma eletrônica elas são dispensadas se um provedor de assinatura confere a integridade.