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O que é aditivo de contrato? Termo aditivo, regras e como fazer

Aditivo de contrato ou termo aditivo: veja o que é, quando usar, o que exigem o Código Civil e a Lei 14.133/2021 e como assinar o aditivo eletronicamente.

Aditivo de contrato: uma folha de aditivo presa por um clipe sobre o contrato original, numa mesa de escritório

Aditivo de contrato em poucas palavras

Aditivo de contrato é o documento que muda um contrato já assinado sem jogá-lo fora. Ele prorroga o prazo, ajusta o valor, amplia o escopo ou troca uma cláusula, e o contrato original continua de pé, lido junto com o aditivo. Em empresas, imobiliárias e órgãos públicos o nome mais comum é termo aditivo, e os dois apontam para o mesmo instrumento.

O erro mais frequente é de forma. Um aditivo assinado com menos formalidade do que o contrato original pode ser contestado justamente quando alguém precisa dele, e aí o prazo prorrogado, o preço novo ou o fiador que "concordou de boca" viram discussão.

Este guia mostra o que o Código Civil exige de um aditivo de contrato, em que ele difere do adendo, como o termo aditivo funciona nos contratos públicos da Lei 14.133/2021 e quando basta uma apostila, quais cuidados valem no aditivo de aluguel, de prestação de serviços e de trabalho, e como redigir e assinar tudo por meio eletrônico. Se o contrato original ainda nem existe, comece por como fazer um contrato. Para saber se o que você tem é mesmo um contrato ou só um acordo, veja a diferença entre contrato e acordo.

Uma ressalva de partida: este texto explica o caminho geral e não substitui a leitura do seu contrato por um advogado, principalmente se ele envolve imóvel, órgão público ou relação de trabalho.

O que é aditivo de contrato: definição e requisitos de validade

O que é aditivo de contrato? É o documento escrito, assinado pelas mesmas partes do contrato original, que altera, corrige ou complementa o que elas já combinaram: prazo, preço, escopo, forma de pagamento, garantias. Depois de assinado, ele passa a fazer parte do contrato, e as duas peças valem juntas. A resposta curta cabe numa linha: é o contrato, mudado de comum acordo e por escrito.

Três palavras circulam como se fossem uma só. Aditivo é o documento. Aditamento é o ato de aditar, de acrescentar ou modificar, e também aparece como nome do resultado desse ato, como explica a coluna Gramatigalhas, do Migalhas. Termo aditivo (ou termo aditivo de contrato, como muita gente digita na busca) é a versão formal do aditivo, o nome que a Lei 14.133/2021 usa nos contratos administrativos. "Aditivo contratual", "contrato aditivo" e até "aditivo contrato" são só variações do mesmo nome.

O Código Civil não dá nome ao aditivo, mas diz o que ele precisa ter. O art. 104 exige agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei: o aditivo é um negócio jurídico como outro qualquer. A liberdade de firmar um aditivo de contrato vem do art. 421 (a liberdade contratual é exercida nos limites da função social do contrato), e a conduta esperada de quem negocia vem do art. 422, que manda guardar probidade e boa-fé na conclusão do contrato e na sua execução.

O que torna um aditivo de contrato válido

Quatro requisitos práticos aparecem em quase todo aditivo de contrato que resiste a uma disputa:

  • Referência ao contrato original: título, data de assinatura e nome de todas as partes, para que o vínculo entre os dois documentos possa ser conferido.
  • Assinatura de quem assinou o original. Um aditivo assinado por uma parte só não obriga a outra.
  • Mudança dita com clareza: quando uma cláusula muda, o aditivo diz qual e como ela fica.
  • Data de vigência. É o dia em que a regra nova começa a valer.

Na prática, é a data de vigência que mais gera briga. Se as partes discordam sobre desde quando o novo prazo ou o novo valor vale, o aditivo inteiro volta para a mesa de negociação.

Aditivo de contrato, adendo e termo aditivo: qual é a diferença?

A dúvida que mais aparece nas buscas é esta: aditivo e adendo são a mesma coisa? Na prática brasileira, não exatamente, e a regra de bolso cabe em duas linhas. O aditivo de contrato muda ou complementa o que já está no contrato. O adendo só acrescenta, sem mexer no que foi combinado.

Pense no contrato como uma casa. O adendo é o quartinho construído ao lado: espaço novo, estrutura antiga intacta. O aditivo é a reforma da cozinha: o espaço que existia muda. Trocar um nome pelo outro raramente é fatal, mas vira argumento na primeira disputa.

A fronteira nem sempre é nítida. Um cronograma de pagamento que substitui o antigo mexe numa obrigação existente, então é aditivo, mesmo que o documento se intitule adendo. Na dúvida, dê ao documento o nome do que ele faz e diga na primeira cláusula quais cláusulas do contrato ele altera ou acrescenta. Em projetos de software, o modelo de contrato de desenvolvimento de software traz uma cláusula de change order que conversa bem com aditivos.

Dois cuidados de vocabulário. Primeiro, "adendo" nem sempre é palavra de contrato: em muitos documentos ele é só um apelido informal do aditivo, e por isso a busca por "adendo de contrato" existe. Segundo, o distrato não é aditivo: ele encerra o contrato, e o art. 472 do Código Civil exige para o distrato a mesma forma do contrato.

Quando usar um adendo

  • Termos que ainda não existiam ou não estavam definidos na assinatura.
  • Anexos, listas de preço e especificações técnicas.
  • Uma informação exigida por regra nova, sem mexer nas cláusulas existentes.
  • Uma parte nova, como um subcontratado, com seu próprio escopo de obrigações.

Quando usar um aditivo de contrato

  • Corrigir uma data, um valor ou um erro material.
  • Substituir uma cláusula inteira por redação atualizada.
  • Retirar uma obrigação que as duas partes consideram superada.
  • Prorrogar um prazo já previsto no contrato original.

Aditivo, adendo e termos parecidos: referência rápida

Termo Para que serve Exemplo
Aditivo de contrato (termo aditivo) Muda, corrige ou complementa cláusulas em vigor: prazo, valor, escopo, garantia. Prorrogar por 12 meses uma locação comercial que vence em março.
Adendo Acrescenta cláusulas ou anexos que não existiam, sem tocar no que já foi combinado. Incluir regras de uso das vagas de garagem num aluguel já assinado.
Anexo Documento de apoio incorporado ao contrato, como planta, tabela de preços ou escopo. A planta de uma sala comercial, citada na cláusula do objeto.
Apostila Registro administrativo que não altera o contrato (Lei 14.133/2021, art. 136). Reajuste de preços que o próprio contrato já previa.
Distrato Encerra o contrato por acordo das partes (Código Civil, art. 472). Fim antecipado de um contrato de prestação de serviços.
Infográfico em inglês que compara addendum e amendment e mostra a estrutura típica de um aditivo: título, partes, vigência, mudanças, cláusula final e assinaturas

Infográfico em inglês: o addendum acrescenta (adendo) e o amendment altera (aditivo). Na prática brasileira, é o aditivo que muda o contrato.

Aditivo de contrato é válido? Código Civil, forma e assinatura eletrônica

Sim. Um aditivo de contrato obriga as partes do mesmo modo que o contrato a que se incorpora, desde que tenha os requisitos do art. 104 do Código Civil, respeite a forma que o contrato exigiu e seja assinado por todos.

O ponto de partida é a liberdade de forma. O art. 107 diz que a validade da declaração de vontade não depende de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. As exceções existem e valem para o aditivo como valem para o contrato. A tabela reúne as mais comuns:

Tipo de contrato Forma exigida Base legal Aditivo eletrônico?
Contrato empresarial comum Forma livre, salvo exigência expressa de lei Código Civil, art. 107 Sim, no nível de assinatura que as partes aceitarem
Contrato formalizado de modo especial Em regra, a mesma forma do contrato original Código Civil, art. 472, por analogia Segue o que o original seguiu
Imóvel acima de 30 salários mínimos Escritura pública, inclusive para modificar direitos reais Código Civil, art. 108 Passa pelo tabelião
Contrato de trabalho Mútuo consentimento, sem prejuízo ao empregado; a mudança de regime de teletrabalho vai em aditivo CLT, arts. 468 e 75-C, § 1º Sim, respeitada a vedação de prejuízo
Contrato administrativo Termo aditivo escrito, salvo registros que cabem em apostila Lei 14.133/2021, arts. 91, 124 e 136 Sim: o art. 91, § 3º admite a forma eletrônica, nos termos do regulamento

O que torna um aditivo de contrato exequível

Três pontos decidem:

  1. 1.
    Consentimento de todas as partes: quem assinou o original precisa assinar o aditivo. Alteração unilateral não vincula a outra parte, salvo onde a lei a autoriza, como nos contratos administrativos (Lei 14.133/2021, art. 124, I). No contrato de trabalho, o art. 468 da CLT vai além: só é lícita a alteração "por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado".
  2. 2.
    Requisitos do art. 104, e não "contraprestação": o direito brasileiro não conhece a doutrina anglo-americana da consideration. Em regra, um aditivo que beneficia só uma das partes continua válido, desde que cumpra o art. 104 e respeite a boa-fé do art. 422.
  3. 3.
    Sem contradição escondida: o aditivo que muda uma cláusula deve dizer qual muda. Quando duas cláusulas se chocam, o intérprete olha a intenção das partes: o art. 112 manda atender mais à intenção consubstanciada na declaração do que ao sentido literal da linguagem.

Forma do aditivo de contrato: o paralelismo com o original

O art. 472 trata do distrato: "O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato." A regra foi escrita para o distrato, mas a leitura prudente a estende ao aditivo. Se o contrato foi lavrado em escritura pública, o aditivo também vai ao tabelião. Se foi particular, com duas testemunhas, o aditivo repete o formato. Descer um degrau de formalidade em relação ao original é o erro mais caro, porque só aparece quando alguém contesta.

Assinatura eletrônica no aditivo de contrato

Duas normas dividem o assunto, e confundi-las custa tempo. A MP 2.200-2/2001, no art. 10, § 1º, presume verdadeiras em relação aos signatários as declarações dos documentos eletrônicos produzidos com certificado ICP-Brasil. O § 2º é o que importa para quem não tem certificado: a MP não impede outro meio de comprovar autoria e integridade, inclusive certificados não emitidos pela ICP-Brasil, desde que as partes o admitam como válido. Por isso o aditivo entre empresas deve trazer uma cláusula dizendo que as partes aceitam a assinatura eletrônica como válida.

A Lei 14.063/2020 classifica as assinaturas em simples, avançada e qualificada (art. 4º), mas o capítulo sobre interações com entes públicos não alcança a relação entre particulares (art. 2º, parágrafo único, II, "a"), em que a régua continua sendo o art. 10 da MP. Num termo aditivo com órgão público, o ente define o nível mínimo de assinatura (art. 5º): confira a exigência antes de assinar.

Contrato público: termo aditivo, limites de 25% e 50% e apostila

Nos contratos administrativos o termo aditivo tem regime próprio na Lei 14.133/2021, que substituiu a Lei 8.666/93, revogada em 30 de dezembro de 2023 (art. 193, II). A lei antiga trazia os mesmos percentuais no art. 65, § 1º. Cinco regras resolvem a maior parte das dúvidas:

  • Art. 124: a Administração pode alterar o contrato unilateralmente (projeto, especificações, acréscimo ou diminuição do objeto), e as partes podem alterá-lo por acordo (garantia, regime de execução, forma de pagamento, equilíbrio econômico-financeiro).
  • Art. 125: nas alterações unilaterais, o contratado é obrigado a aceitar acréscimos ou supressões de até 25% do valor inicial atualizado do contrato. Em reforma de edifício ou de equipamento, os acréscimos chegam a 50%.
  • Art. 126: as alterações unilaterais não podem transfigurar o objeto da contratação.
  • Art. 132: a formalização do termo aditivo é condição para o contratado executar o que a Administração determinar no curso do contrato, salvo antecipação justificada. Nesse caso, a formalização sai em até um mês.
  • Art. 136: registros que não alteram o contrato podem ser feitos por simples apostila, sem termo aditivo, "como nas seguintes situações": reajuste ou repactuação previstos no contrato, atualizações financeiras das condições de pagamento, mudança de razão ou denominação social do contratado e empenho de dotações orçamentárias.

Duas leituras erradas circulam. Uma: os 50% valem para qualquer obra, quando são só para reforma de edifício ou de equipamento. Outra: os percentuais liberam a Administração para mudar o que quiser, o que o art. 126 desmente.

E em Portugal?

Se a sua empresa também opera em Portugal, o vocabulário muda: lá se fala em adenda ou aditamento ao contrato. A regra de fundo está no art. 406.º, n.º 1, do Código Civil português: o contrato só pode modificar-se ou extinguir-se por mútuo consentimento dos contraentes ou nos casos admitidos na lei. A assinatura eletrônica segue o Regulamento (UE) n.º 910/2014 (eIDAS), executado em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 12/2021. O resto deste guia descreve a prática brasileira.

Exemplos de aditivo de contrato: aluguel, serviços e trabalho

Três contratos concentram a maior parte dos aditivos de contrato do dia a dia. Veja o que cada um pede.

Aditivo de contrato de aluguel (termo aditivo de contrato de locação)

É o caso mais procurado, quase sempre por um destes motivos: prorrogar o prazo, reajustar o valor ou trocar a garantia. A Lei 8.245/91 dá os pontos de apoio:

  • Prazo: nas locações por escrito e por prazo igual ou superior a trinta meses, se o locatário continua no imóvel por mais de trinta dias depois do fim do prazo, sem oposição do locador, presume-se a prorrogação por prazo indeterminado (art. 46, § 1º). Um aditivo evita essa zona cinzenta, porque fixa o novo período com data de começo e de fim.
  • Valor do aluguel. O art. 18 permite que as partes fixem de comum acordo um valor novo e insiram ou modifiquem a cláusula de reajuste. O art. 17 continua valendo: nada de moeda estrangeira, variação cambial ou salário mínimo como índice.
  • Fiador: segundo a Súmula 214 do STJ, o fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu. O art. 39 estende a garantia até a devolução do imóvel, salvo disposição contratual em contrário, mas isso não dispensa a assinatura dele no aditivo. Peça.
  • Troca de garantia. O art. 37, parágrafo único, veda mais de uma modalidade de garantia no mesmo contrato, sob pena de nulidade. Se o aditivo troca a caução pela fiança, ele precisa dizer que a primeira sai.
  • Cônjuge e testemunhas: o art. 3º exige vênia conjugal para locações de dez anos ou mais, então vale colher a assinatura do cônjuge se a prorrogação leva o prazo total a esse patamar. Se o contrato original tinha testemunhas, repita-as.

Aditivo de contrato de prestação de serviços

O escopo cresce, o prazo estica, o preço muda. O aditivo registra isso antes de o trabalho acontecer, e não depois. Entre empresas, os contratos civis e empresariais se presumem paritários e simétricos, e o art. 421-A manda respeitar a alocação de riscos definida pelas partes: um bom aditivo escreve quem assume o risco do prazo novo.

  • Escopo: descreva a entrega nova e diga se ela cabe no preço antigo ou tem preço próprio.
  • Prazo. Data nova, e o que acontece com os marcos e as multas que dependiam da data antiga.
  • Preço e reajuste: novo valor, forma de pagamento e índice.
  • Cláusulas que continuam valendo, como rescisão e confidencialidade, citadas pelo número.

Aditivo de contrato de trabalho

Contrato de trabalho muda mais do que se imagina: cargo, jornada, salário, local de trabalho. A regra é a do art. 468 da CLT, vista acima: só é lícita a alteração por mútuo consentimento e sem prejuízo, direto ou indireto, ao empregado. A cláusula que traz prejuízo é nula, mesmo assinada.

  • Teletrabalho: o art. 75-C, § 1º, da CLT diz que a alteração entre o regime presencial e o de teletrabalho exige mútuo acordo, registrado em aditivo contratual. No sentido inverso (do teletrabalho para o presencial, por determinação do empregador), o § 2º garante um prazo de transição mínimo de quinze dias, também registrado em aditivo.
  • Bônus e metas. O aditivo define metas, período de apuração e fórmula de pagamento. Sinceramente, é o que mais evita briga.
  • Cargo e função. Registre o novo cargo, a subordinação e as atribuições, e diga o que continua igual no contrato.
Aditivo de contrato conferido por duas pessoas, ao lado do contrato original, numa mesa de reunião

Antes de assinar, confira se o aditivo cita o contrato original, a cláusula alterada e a data de vigência.

Como fazer um aditivo de contrato: guia de redação em 5 passos

Um aditivo de contrato vale o que vale a sua redação. Um aditivo ambíguo cria justamente a incerteza que deveria resolver. Os cinco passos abaixo para fazer um aditivo de contrato servem para qualquer tipo de contrato.

Passo 1: dê um título que diga o que o documento é

O título precisa identificar o aditivo, dizer a qual contrato ele se liga e, se houver mais de um, em que ordem vem:

  • O tipo de documento: comece com "Termo Aditivo" ou "Aditivo".
  • O nome do contrato original, como "Contrato de Prestação de Serviços".
  • A data de assinatura do contrato original.
  • Um número de ordem, como em "Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços de 15 de janeiro de 2026".

Esse formato cria um registro cronológico que sobrevive à revisão interna, à due diligence e a um eventual processo.

Passo 2: identifique as partes e o contrato original

O parágrafo de abertura liga o aditivo ao contrato: nome completo e qualificação de todas as partes, título e data do contrato original, e a declaração de que o aditivo passa a integrar aquele contrato. Sem esse vínculo, o aditivo pode ser lido como documento solto, e a lacuna que você queria evitar aparece justamente ali.

Passo 3: escreva as mudanças com precisão

É aqui que a maioria dos aditivos escorrega. Alguns princípios:

  • Use linguagem específica. "Prazo razoável" sem definição não serve.
  • Numere as cláusulas no mesmo estilo do contrato original.
  • Diga onde cada mudança entra. Por exemplo: "A Cláusula 5ª do Contrato passa a vigorar com a seguinte redação: [texto novo]." ou "Fica acrescida ao Contrato a Cláusula 7ª-A: [texto novo]."
  • Evite remeter a documentos externos, a menos que também sejam anexados ao aditivo.

Passo 4: inclua a cláusula de ratificação

A cláusula de ratificação afirma que o aditivo não substitui o contrato, exceto no que ele declara. Uma redação possível:

"Ficam ratificadas todas as demais cláusulas e condições do Contrato que não tenham sido expressamente alteradas por este Termo Aditivo. Em caso de conflito, prevalece este Termo Aditivo apenas quanto à matéria que ele trata."

Sem essa frase, uma das partes pode alegar depois que o aditivo revogou cláusulas que as duas queriam manter.

Passo 5: assine o aditivo com todos que precisam assinar

O aditivo só obriga quem o assina. O bloco de assinaturas deve:

  • Seguir o formato do bloco do contrato original.
  • Trazer nome completo, CPF ou CNPJ, cargo e data de cada parte.
  • Ser assinado por quem tem poderes para obrigar a empresa, conforme o contrato social ou a procuração.
  • Incluir o fiador e as testemunhas, quando o contrato original os tinha.

Depois da assinatura, guarde a via completa junto do contrato principal. Aviso justo: quem controla aditivos por fio de e-mail vai chegar, mais cedo ou mais tarde, a um dia em que ninguém sabe qual versão foi assinada.

Modelo de aditivo de contrato: a estrutura mínima

  1. 1.
    Título: "Primeiro Termo Aditivo ao [nome do contrato], de [data]".
  2. 2.
    Partes e contrato original, com qualificação completa.
  3. 3.
    Cláusula 1ª, objeto do aditivo: o que muda e em qual cláusula.
  4. 4.
    Cláusula 2ª, vigência: a partir de quando a mudança vale.
  5. 5.
    Cláusula 3ª, ratificação das demais cláusulas.
  6. 6.
    Local, data e assinaturas de todos.

Para o contrato-base de locação, de prestação de serviços ou de trabalho, a biblioteca de modelos de contrato é um ponto de partida. O aditivo, depois, nasce do contrato que você de fato assinou.

Aditivo assinado no Chaindoc versus papel e e-mail

CapacidadeChaindocPapel e e-mail

Quem assinou

Cada signatário assina pelo navegador, de qualquer dispositivo, e a conclusão de cada um fica registrada

Rubricas e datas à mão, conferidas página a página

Integridade do arquivo

O hash da versão publicada vai para a blockchain; qualquer alteração posterior no arquivo muda o hash

Nada impede trocar uma página antes de escanear

Prova de cada assinatura

A prova de cada signatário é registrada quando ele conclui

Foto ou escaneamento da página assinada

Ordem de assinatura

Convite a todos ao mesmo tempo; ordem definida por rotas de aprovação, no plano Business

Depende de quem responde o e-mail primeiro

Identificação do signatário

Verificação KYC opcional, quando o valor do aditivo justifica

Cópia do documento anexada ao e-mail

Versão em circulação

Assinatura e registro no mesmo fluxo, com um único arquivo em circulação

Várias versões no mesmo fio de e-mail

Conferência depois

O arquivo pode ser verificado no serviço de verificação do Chaindoc

Só dá para comparar cópias à mão

Prazo e logística

Assinaturas em paralelo, sem impressão nem malote

Rodadas de impressão, assinatura e devolução

Como assinar um aditivo de contrato eletronicamente e guardar a prova

A validade jurídica do aditivo de contrato é metade do problema. A outra metade é operacional: a versão certa em circulação, todos os signatários assinando e uma prova do que aconteceu, guardada onde alguém vai achá-la daqui a dois anos. No papel e no e-mail, essas três coisas falham com frequência.

O que dá errado quando o aditivo circula por e-mail

  • Versões demais: vários rascunhos no mesmo fio, e ninguém sabe qual foi assinado sem reconstruir a conversa.
  • Falta de assinatura. O aditivo chega a alguns signatários e não a outros (o fiador, por exemplo), e a lacuna só aparece na disputa.
  • Sem prova de quando: o processo manual não mostra quando o aditivo foi proposto, revisado e assinado.
  • Arquivo solto. O aditivo guardado longe do contrato atrapalha uma due diligence, uma renovação ou um processo.

Como cada etapa fica no Chaindoc

No Chaindoc você envia o aditivo em PDF para assinatura, e cada signatário assina pelo navegador, no computador ou no celular. Um pedido normal convida todos de uma vez. Se o aditivo precisa seguir uma ordem de assinatura, ela é definida por rotas de aprovação, recurso do plano Business. Quando o documento é publicado, o hash da versão vai para a blockchain, e a prova de cada signatário é registrada quando ele conclui a assinatura. A verificação de identidade por KYC é opcional e faz sentido quando o valor do aditivo justifica. Para conferir um aditivo mais tarde, o arquivo pode passar pelo serviço de verificação de PDF.

Assine seu aditivo de contrato com o Chaindoc.

Uma advertência honesta: isso prova quem assinou o quê e em que versão. Não prova que o aditivo é bom. Se o texto é ambíguo, o registro só vai mostrar que todos assinaram algo ambíguo. E, se o contrato exige escritura pública ou assinatura com certificado ICP-Brasil, o fluxo precisa respeitar essa forma.

Aditivo de contrato sob controle

Um bom aditivo de contrato cabe em uma página: título que diz o que ele é, partes e contrato original, mudança descrita com precisão, cláusula de ratificação e todas as assinaturas. O que decide se ele vale é a forma do contrato original, o consentimento de quem o assinou e, nos contratos públicos, os limites da Lei 14.133/2021. Para comparar planos, veja a página de preços do Chaindoc. Mais guias práticos estão no blog do Chaindoc.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Respostas principais sobre a Chaindoc e fluxos seguros de assinatura de documentos.

Aditivo é o documento escrito que altera, corrige ou complementa um contrato já assinado, como prazo, valor ou escopo, sem substituir o contrato original. Também se chama termo aditivo ou aditivo contratual. Só vale se citar o contrato original e for assinado por todas as partes que o assinaram.

Aditivo e termo aditivo são o mesmo instrumento: o segundo é só o nome mais formal, usado nos contratos públicos da Lei 14.133/2021. O adendo, em sentido estrito, apenas acrescenta cláusulas ou anexos sem mexer no que foi combinado, enquanto o aditivo muda ou complementa cláusulas em vigor. No dia a dia muita gente usa os dois como sinônimos, então dê ao documento o nome do que ele faz e descreva a mudança já na primeira cláusula.

Em regra, não. Um contrato privado só muda se as partes concordam, e o parágrafo único do art. 421 do Código Civil trata a revisão judicial como exceção. Há dois casos em que a conversa é outra. Nos contratos administrativos, o contratado deve aceitar alterações unilaterais da Administração até 25% do valor inicial atualizado, ou 50% nos acréscimos de reforma de edifício ou equipamento (Lei 14.133/2021, art. 125). No contrato de trabalho, o art. 468 da CLT só admite alteração por mútuo consentimento e sem prejuízo ao empregado, e a cláusula que prejudica é nula.

Siga cinco passos: dê um título que cite o contrato original e a data; qualifique as partes e declare que o aditivo integra o contrato; escreva a mudança dizendo qual cláusula é alterada e como fica; inclua a data de vigência e a cláusula de ratificação das demais cláusulas; e colha a assinatura de todos que assinaram o original, incluindo fiador e testemunhas quando houver. A estrutura mínima de um modelo está neste guia, logo depois dos cinco passos.

Em geral, não. A regra prudente é repetir a forma do contrato original: se ele foi lavrado em escritura pública ou exigiu testemunhas, o aditivo segue o mesmo caminho (art. 472 do Código Civil, aplicado por analogia). Para negócios sobre direitos reais de imóveis acima de trinta salários mínimos, o art. 108 exige escritura pública. Fora isso, o aditivo particular vale com assinatura eletrônica, desde que as partes a aceitem como válida (MP 2.200-2/2001, art. 10, § 2º). Em caso de dúvida, pergunte ao tabelião ou ao advogado que cuidou do contrato original.