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Proforma invoice: o que é e o que ela não substitui

A proforma invoice não é documento fiscal e não substitui a fatura nem a nota fiscal. O que ela resolve no comércio exterior e onde ela cria problema.

Proforma invoice: o que é e o que ela não substitui

Introduction

A proforma invoice abre praticamente toda importação. O exportador manda o documento, o importador usa para pedir o licenciamento, fechar o câmbio e liberar o adiantamento.

Ela descreve mercadoria, quantidade, preço, Incoterm e prazo. Parece uma fatura completa. Não é.

E a diferença aparece exatamente no pior momento: quando alguém tenta usá-la como documento fiscal, ou quando destaca nela um imposto que não deveria estar ali.

Documento comercial, não fiscal

A proforma invoice organiza a negociação internacional e sustenta o licenciamento e o câmbio. Ela não recolhe tributo, não transfere titularidade e não substitui a commercial invoice nem a nota fiscal.

O que a proforma resolve

A proforma serve a três finalidades práticas, e todas antecedem o embarque.

A primeira é o licenciamento. Órgãos anuentes e bancos pedem um documento que descreva a operação antes de ela existir, e a proforma é justamente isso.

A segunda é o câmbio. Fechar contrato de câmbio para um adiantamento exige documentação que ampare o valor remetido.

A terceira é comercial e costuma ser subestimada. Uma proforma aceita por escrito registra o que foi combinado: quantidade, preço unitário, Incoterm, prazo de produção e condição de pagamento. Quando surge divergência meses depois, esse documento vale mais do que a troca de mensagens que o antecedeu.

Depois do embarque entra a commercial invoice, que acompanha a carga, ampara o desembaraço e reflete a operação efetivamente realizada. As duas convivem, com funções distintas, e a segunda não repete a primeira: ela registra o que de fato saiu.

O que cada documento faz

DocumentoRegistra operação realizada?Vale como documento fiscal?Uso típico

Proforma invoice

Não

Não

Licenciamento, câmbio, adiantamento

Commercial invoice

Sim

No exterior, sim

Acompanha a carga no desembaraço

Fatura

Sim

Título de crédito na origem

Venda mercantil com prazo de 30 dias ou mais

Duplicata

Extraída da fatura

Título de crédito

Circulação como efeito comercial

Nota fiscal

Sim

Sim

Documento fiscal da operação interna

Fatura, duplicata e nota fiscal não são a mesma coisa

No mercado interno os nomes se confundem no dia a dia, mas a lei os separa com clareza.

A Lei 5.474/1968, artigo 1º, determina que em todo contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a trinta dias contado da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. O parágrafo primeiro acrescenta que a fatura discriminará as mercadorias vendidas ou indicará somente os números e valores das notas parciais expedidas.

O artigo 2º trata do título. No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, e a lei é categórica ao não admitir qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador.

Ou seja: a fatura documenta a venda a prazo, a duplicata é o título que circula, e a nota fiscal é o documento fiscal da operação. Três papéis, três funções.

A proforma invoice não pertence a nenhuma dessas categorias. Ela vive no comércio exterior, antes da operação, e não gera obrigação tributária.

Proforma aceita, acordo registrado

A proforma aceita costuma ser o momento em que o negócio realmente se fecha. A Chaindoc assina e carimba o tempo para que a versão aceita continue comprovável. Começar a assinar ou ver pagamentos.

A armadilha de destacar imposto

A regra que mais surpreende vem da Europa, e vale conhecer porque afeta quem exporta para lá.

O artigo 283-3 do Código Geral de Impostos francês estabelece que toda pessoa que mencione o IVA em uma fatura torna-se devedora do imposto pelo simples fato de tê-lo faturado. Não por ter entregado algo. Por ter escrito o valor.

A Alemanha diz o mesmo no parágrafo 14c de sua lei do IVA: quem destaca um valor de imposto sem estar autorizado a destacá-lo deve o valor indicado.

E a definição alemã de fatura fecha o cerco, porque é mais ampla do que se imagina: fatura é qualquer documento com o qual se acerta uma entrega ou prestação, independentemente de como esse documento seja denominado no comércio. O cabeçalho não decide nada. O conteúdo decide.

Logo, uma proforma com imposto destacado não acerta operação nenhuma, não dá direito a crédito para quem a recebe, e ainda assim pode tornar o emitente devedor do valor impresso.

Mostre o valor sem tributos e explique o tratamento fiscal em texto corrido. Custa uma linha.

Proforma invoice: o que é e o que ela não substitui

A proforma abre a operação; ela não a encerra

Como organizar os documentos

Quatro hábitos evitam quase todo o retrabalho.

Nomeie o documento pela função. Se nada foi entregue, é proposta ou proforma, e ela não consome numeração de documento fiscal.

Mantenha tributo fora de tudo que é provisório, pela regra da seção anterior.

Peça aceite por escrito na proforma. Assinatura, carimbo ou confirmação formal, com data. Esse é o documento que sustenta quantidade, preço e prazo se a negociação azedar, e ele normalmente antecede qualquer contrato assinado.

Confira a coerência entre proforma, commercial invoice, packing list e conhecimento de embarque antes do desembaraço. Divergência de peso, quantidade ou valor entre esses papéis é a causa mais banal de carga parada.

Depois disso, se a fatura correta não for paga, nosso guia sobre notificação extrajudicial mostra o que transforma um atraso em inadimplemento com efeito jurídico. E se a fragilidade estiver no contrato, comece por como redigir um contrato.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Respostas principais sobre a Chaindoc e fluxos seguros de assinatura de documentos.

É um documento comercial que descreve uma operação antes de ela ocorrer: mercadoria, quantidade, preço, Incoterm e condição de pagamento. Serve para licenciamento de importação, fechamento de câmbio e adiantamento. Não é documento fiscal e não substitui a commercial invoice nem a nota fiscal.

Sozinha, funciona como proposta. Ganha força quando o comprador a aceita por escrito, porque então registra quantidade, preço, prazo e condição acordados. Por isso vale pedir assinatura ou confirmação formal com data, ainda que nenhum contrato tenha sido assinado.

O momento e a função. A proforma antecede o embarque e ampara licenciamento e câmbio. A commercial invoice acompanha a carga, reflete a operação efetivamente realizada e sustenta o desembaraço aduaneiro. A segunda não é cópia da primeira: ela registra o que de fato saiu.

Não. A Lei 5.474/1968 exige a fatura em toda venda mercantil com prazo não inferior a trinta dias entre partes domiciliadas no Brasil, e dela pode ser extraída uma duplicata para circular como título. A nota fiscal é o documento fiscal da operação, com finalidade tributária própria.

É o título de crédito extraído da fatura no ato de sua emissão, para circulação como efeito comercial. O artigo 2º da Lei 5.474/1968 não admite qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador.

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