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Assinatura eletrônica simples: o que é e quando a lei brasileira a aceita

Assinatura eletrônica simples: o que é, o que dizem a MP 2.200-2 e a Lei 14.063, quais exemplos valem e que documentos ainda exigem papel ou cartório.

O que é assinatura eletrônica: uma pessoa assina um documento com uma caneta num tablet

O que é assinatura eletrônica? A definição legal

O que é assinatura eletrônica? Pergunte a um advogado e a resposta será mais ampla do que a maioria espera. A Lei 14.063/2020 chama de assinatura eletrônica simples a que permite identificar o signatário ou que anexa dados a outros dados dele em formato eletrônico (art. 4º, I). Na definição geral (art. 3º, II), são dados eletrônicos ligados a outros dados e usados pelo signatário para assinar. Um nome digitado entra, um clique em "Concordo" também, uma linha traçada com o dedo, um código por SMS ou um certificado digital.

A lei dos Estados Unidos diz o mesmo com outras palavras: o ESIGN Act fala de um som, símbolo ou processo eletrônico associado a um documento e adotado com a intenção de assiná-lo (15 U.S.C. §7006(5)). Num contrato entre empresas de dois países, você não precisa escolher entre definições.

Duas ideias aparecem em todos os textos:

  • A vontade de assinar. Seu nome no campo "Para" de um e-mail não é assinatura. O mesmo nome digitado abaixo de "De acordo" provavelmente é.
  • A ligação com um documento específico. A foto da sua letra, enviada solta, não está presa a nada.

Agora, o que as páginas dos fornecedores pulam. A definição diz o que conta. Ela não diz se a sua assinatura aguenta uma disputa, e isso é questão de prova, assunto da maior parte deste artigo. Se o que você quer saber é quando ainda precisa de tinta, o guia da assinatura manuscrita explica.

A mesma ideia em quatro ordenamentos

OndeNormaO que contaO que a lei promete

Brasil, MP 2.200-2

Medida Provisória 2.200-2/2001, art. 10

Documentos eletrônicos são públicos ou particulares para todos os fins legais; vale também outro meio de comprovar autoria e integridade

Com certificação ICP-Brasil, as declarações presumem-se verdadeiras em relação aos signatários (§ 1º); outro meio vale se admitido pelas partes ou aceito por quem o recebe (§ 2º)

Brasil, Lei 14.063

Lei 14.063/2020, art. 3º, II, e art. 4º

Dados em formato eletrônico ligados a outros dados e usados pelo signatário para assinar, em três tipos: simples, avançada e qualificada

Define o nível de confiança de cada tipo. O texto regula interações com o poder público, e o mercado usa o mesmo vocabulário

União Europeia e Portugal

Regulamento eIDAS (UE) n.º 910/2014, art. 3.º, ponto 10, e art. 25.º; Decreto-Lei 12/2021, art. 3.º

Dados em formato eletrónico anexos ou logicamente associados a outros dados e utilizados pelo signatário para assinar

Não se nega efeito jurídico nem admissibilidade como prova só por ser eletrónica ou não qualificada; a qualificada equivale à assinatura autógrafa

Estados Unidos, para contratos internacionais

ESIGN Act, 15 U.S.C. §7001(a) e §7006(5)

Um som, símbolo ou processo eletrônico associado a um documento e adotado com a intenção de assiná-lo

A validade não se perde só porque a assinatura é eletrônica (§7001(a))

A lei protege a forma, não o negócio

O art. 107 do Código Civil diz que a validade da declaração de vontade não depende de forma especial, salvo quando a lei a exige. O art. 10, § 2º, da MP 2.200-2 admite outros meios de comprovar autoria e integridade, se as partes os aceitam como válidos. E o eIDAS proíbe negar efeito a uma assinatura só por ser eletrônica. Nada disso torna válida uma assinatura específica: tira um argumento da outra parte. Se o contrato obriga, isso continua dependendo do direito dos contratos e da prova de quem concordou com o quê.

Assinatura eletrônica simples na prática: exemplos

Quase tudo que você faz na tela para dizer "concordo com este documento" pode ser uma assinatura eletrônica. Os sete métodos da tabela cabem na definição da lei. O que muda é a quantidade de prova que cada um deixa. Na Lei 14.063, quase todos são assinatura eletrônica simples. Só quem usa certificado da ICP-Brasil chega à qualificada.

Digitar o nome é assinatura eletrônica? É, se você digitou para assinar. O ponto fraco é a atribuição: qualquer pessoa com acesso ao seu e-mail poderia ter digitado. No dia a dia, uma proposta aceita online, um NDA com um clique ou um termo de entrega assinado no tablet não dão problema enquanto nenhuma lei exigir forma especial (Código Civil, art. 107).

A assinatura escaneada é o caso mais mal avaliado. Colar a imagem da sua letra num PDF cria uma assinatura em sentido jurídico, mas fraca: ela não diz quem colou nem se a página quatro mudou depois.

Fazer uma leva um minuto: abrir o documento num serviço de assinatura, digitar ou desenhar o nome, confirmar. O traço é a parte fácil. Quando você assina e envia documentos com a Chaindoc, o que trabalha depois é o registro de quem abriu e assinou, e quando.

Sete métodos de assinatura eletrônica e o que cada um prova

MétodoÉ assinatura eletrônica?O que costuma provar quem assinou

Nome digitado no fim de um e-mail ou formulário web

Sim, se digitado com intenção de assinar

O controle da conta de e-mail e as mensagens ao redor

Marcar "Concordo" ou clicar em "Aceitar"

Sim, são dados que o signatário usa para assinar

Registros do servidor que ligam o clique a uma conta e a uma versão do documento

Desenhar a assinatura com o dedo ou a caneta

Sim

O registro de atividade do serviço de assinatura, não o desenho

Colar uma imagem escaneada da sua letra

Tecnicamente sim

Muito pouco. Qualquer pessoa cola uma imagem

Digitar um código de uso único recebido por SMS ou e-mail

Sim

O controle desse número ou dessa caixa de e-mail naquele momento

Dizer "de acordo" numa ligação gravada

Nos EUA, sim, porque o ESIGN Act cobre um "som"; no Brasil é sobretudo questão de prova

A gravação e as checagens de identidade feitas durante a ligação

Assinatura digital com certificado

Sim, e a mais forte

O certificado, mais um hash que quebra se o arquivo mudar

Assinatura eletrônica simples na prática: uma mão assina um contrato no tablet com uma caneta

O traço é a assinatura eletrônica que todo mundo reconhece. Sozinho, é o que menos prova.

O que torna uma assinatura eletrônica prova sólida

A lei decide se uma assinatura é permitida. A prova decide se a sua ganha. No processo civil, o documento é autêntico quando a autoria está identificada por qualquer meio legal de certificação, inclusive eletrônico, ou quando ninguém o impugna (CPC, art. 411). Quando alguém diz "eu nunca assinei isso", quatro perguntas aparecem, mais ou menos nesta ordem.

Vontade: a pessoa quis assinar?

O signatário precisa fazer algo que se leia como concordância: marcar "Aceito as condições acima", apertar "Assinar", digitar o nome abaixo de "De acordo". Silêncio não conta. Uma caixa marcada de antemão por outra pessoa também não.

Acordo: as duas partes aceitaram o método?

Ninguém é obrigado a aceitar o seu método de assinatura se ele não foi combinado. A MP 2.200-2 diz isso com todas as letras (art. 10, § 2º): outro meio de comprovar autoria e integridade vale se admitido pelas partes como válido ou aceito por quem recebe o documento. Entre empresas, o acordo costuma se deduzir da conduta: negocia-se por e-mail e assina-se no mesmo serviço. Mesmo assim, uma cláusula no contrato custa menos do que a discussão depois.

Atribuição e integridade: quem assinou, e é o mesmo documento?

A atribuição liga a assinatura a uma pessoa: e-mail verificado, código de uso único, checagem de identidade, endereço IP e dispositivo. A integridade mostra que o arquivo não mudou desde então, e um hash criptográfico faz isso bem. Mude um único byte e o resultado é totalmente outro. É aritmética, não promessa de fornecedor, e qualquer um pode refazer a conta.

Conservação: você ainda consegue apresentar o documento?

É o que quase todo mundo esquece. Um contrato assinado que só existe na conta de um fornecedor que você já cancelou é um contrato frágil. O que você consegue pôr na mesa do juiz, completo e intacto, pesa mais do que qualquer argumento.

Na prática, vontade e acordo se resolvem pelo desenho do fluxo de assinatura. Atribuição e conservação são onde se perdem as disputas de verdade.

Brasil: MP 2.200-2 e Lei 14.063

No Brasil, duas normas dividem o assunto, e vale saber o que cada uma faz.

A Medida Provisória 2.200-2/2001 diz, no art. 10, que os documentos eletrônicos são públicos ou particulares para todos os fins legais. Duas regras são o centro:

  1. 1.
    As declarações de documentos produzidos com certificação ICP-Brasil presumem-se verdadeiras em relação aos signatários (§ 1º). É a presunção de veracidade.
  2. 2.
    A MP não impede outro meio de comprovar autoria e integridade, inclusive certificados não emitidos pela ICP-Brasil, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito por quem recebe o documento (§ 2º).

A Lei 14.063/2020 classifica as assinaturas em três tipos no art. 4º, que caracterizam o nível de confiança sobre a identidade e a manifestação de vontade do titular. Um detalhe que os fornecedores raramente contam: a lei trata de interações com entes públicos, de atos de pessoas jurídicas e de saúde (art. 1º), e as regras do capítulo sobre entes públicos não se aplicam à interação entre particulares (art. 2º, parágrafo único). Entre empresas, o que vale é a liberdade de forma do Código Civil e o § 2º do art. 10 da MP.

Resumo prático: uma assinatura eletrônica simples vale entre particulares quando nenhuma lei exige forma especial e as partes a aceitaram. A presunção de veracidade, essa fica com o certificado da ICP-Brasil.

Assinatura eletrônica simples, avançada e qualificada: os três níveis

A Lei 14.063 (art. 4º) e o eIDAS usam os mesmos três nomes, com definições parecidas, o que ajuda quem contrata dos dois lados do Atlântico.

No Brasil, a simples permite identificar o signatário ou anexa dados a outros dados dele. A avançada usa certificados não emitidos pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovar autoria e integridade, admitido pelas partes ou aceito por quem recebe o documento, e tem três características: associa-se ao signatário de forma unívoca, usa dados que ele opera sob seu controle exclusivo e torna detectável qualquer modificação posterior. A qualificada usa o certificado digital da ICP-Brasil (MP 2.200-2, art. 10, § 1º), tem o nível mais alto de confiabilidade e é a que a lei exige em certos atos, como a transferência e o registro de imóveis nas interações com o poder público.

Na União Europeia, o art. 25.º do eIDAS impede negar efeito a qualquer dos três só por ser eletrônico, e apenas a qualificada equivale à assinatura autógrafa. Como obter uma e quando vale a pena está no guia da assinatura qualificada.

Os níveis lado a lado

NívelCritério legalEfeito legalUso típico

Simples

Permite identificar o signatário ou associa dados a outros dados dele (Lei 14.063, art. 4º, I); no eIDAS, qualquer dado usado para assinar (art. 3.º, ponto 10)

Válida e admissível como prova; em caso de disputa, quem a usa prova o que aconteceu

NDAs, propostas, formulários de RH, a maioria dos contratos entre empresas

Avançada

Três características do art. 4º, II, da Lei 14.063; quatro condições do art. 26.º do eIDAS

Válida; indício mais forte de quem assinou e de que nada mudou

Contratos de maior valor ou internacionais, cadastros regulados

Qualificada

Certificado digital da ICP-Brasil (MP 2.200-2, art. 10, § 1º); no eIDAS, dispositivo e certificado qualificados (art. 3.º, ponto 12)

Presunção de veracidade das declarações (MP 2.200-2, art. 10, § 1º); na UE, equivale à autógrafa (art. 25.º, n.º 2) e vale em todos os Estados-Membros (art. 24.º-A)

Atos em que a lei ou o destinatário exigem o nível mais alto

Portugal: eIDAS e Decreto-Lei 12/2021

Em Portugal vale o eIDAS, completado pelo Decreto-Lei 12/2021. O art. 3.º, n.º 2, diz que a assinatura eletrónica qualificada (a grafia portuguesa) equivale à autógrafa e cria a presunção de que quem a apôs é o titular, quis assinar e o documento não foi alterado. Outros meios valem se as partes os adotarem por convenção sobre prova ou se forem aceites por quem recebe o documento (n.º 9). Sem serviço de confiança qualificado, o valor probatório segue as regras gerais (n.º 10). A supervisão cabe ao Gabinete Nacional de Segurança (art. 6.º).

Onde entra a assinatura digital

No Brasil, muita gente chama de "assinatura digital" o que a lei chama de qualificada, a feita com certificado da ICP-Brasil. Na técnica, os dois nomes não são sinônimos. A assinatura eletrônica é o conceito jurídico: a vontade de se obrigar, expressa por meio eletrônico. A assinatura digital é uma técnica para produzi-la. O software do signatário usa uma chave privada, respaldada por um certificado de uma autoridade certificadora, para assinar um hash do documento. Quem tem a chave pública pode conferir qual certificado assinou e se o arquivo mudou desde então.

Esse par é o que o pessoal de segurança chama de não repúdio: o signatário dificilmente nega a assinatura, porque a prova viaja dentro do arquivo e não no banco de dados de um terceiro. Em rigor, ela prova só que a chave foi usada. Que a pessoa certa a tinha na mão continua sendo questão de fato.

Toda assinatura digital é eletrônica. A maioria das assinaturas eletrônicas não é digital, e para contratos comuns a lei não exige que seja. O lado técnico está na comparação completa entre assinatura digital e eletrônica.

Assinar é a parte fácil. Guardar a prova é o trabalho

A Chaindoc registra quem assinou o quê e quando, grava o hash de cada versão publicada numa blockchain pública e exporta o registro de atividade em PDF, que fica com você. O plano gratuito inclui cinco assinaturas por mês, sem cartão.

Ver como funciona a assinatura

Documentos que não se assinam eletronicamente

Quase todo documento comercial pode ser assinado eletronicamente. As exceções são poucas, específicas e locais, e por isso pegam muita gente desprevenida. No Brasil, as mais comuns:

  • Negócios que constituem, transferem, modificam ou renunciam direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente: a escritura pública é essencial à validade (Código Civil, art. 108)
  • Atos de transferência e de registro de bens imóveis nas interações com o poder público. A lei exige assinatura eletrônica qualificada (Lei 14.063, art. 5º, § 2º, IV)
  • Emissão de notas fiscais eletrônicas: assinatura qualificada obrigatória, com exceção de pessoas físicas e MEIs, para quem é facultativa (art. 5º, § 2º, III)
  • Cada ente público fixa o nível mínimo de assinatura para suas interações, e a lei prevê a assinatura eletrônica simples para as interações de menor impacto e sem informação sigilosa (art. 5º, § 1º, I)

Excluído não significa sempre papel. Na escritura pública, quem lavra o ato é o tabelião. Na relação com o poder público, o que muda é o nível exigido, e uma assinatura eletrônica simples não resolve; a qualificada sim.

Confira o tipo de ato contra a forma exigida antes de enviar, não depois. Isso leva cinco minutos e costuma poupar um documento refeito em papel.

Por que uma assinatura eletrônica simples é recusada

Uma assinatura recusada raramente é falsificada. Quase sempre há um descompasso entre o que você enviou e o que a outra parte, ou a lei, precisava.

Nível errado. O destinatário precisava de uma assinatura qualificada, em geral porque uma norma exige o certificado, e você mandou uma assinatura eletrônica simples. Reenviar não resolve: é preciso um certificado emitido por uma autoridade credenciada.

Método não combinado. Ninguém precisa aceitar o seu processo de assinatura se ele não foi acordado, e bancos, seguradoras e órgãos públicos costumam definir o deles.

Arquivo alterado depois de assinado. Achatar um PDF, incluir um comentário ou salvar em outro editor pode quebrar o hash.

Registro impossível de apresentar. Sem uma cópia que todas as partes possam guardar e reproduzir fielmente, você entrega um argumento ao outro lado.

Certificado vencido ou revogado. Uma assinatura feita enquanto o certificado era válido pode continuar de pé, mas depois será preciso comprovar quando ela foi feita.

Um caso real

Um fornecedor envia um contrato-quadro assinado. O jurídico abre, acrescenta um comentário, salva e encaminha ao financeiro. O financeiro roda um validador e recebe um erro. Pânico rápido.

Nada foi falsificado. O comentário reescreveu o arquivo, o hash não bate mais com o que foi registrado na assinatura, e o validador fez exatamente o seu trabalho. O original estava certo; a cópia, não. Se você não sabe qual cópia tem em mãos, uma verificação de assinatura em PDF mostra se a assinatura ainda confere com o arquivo.

Nunca salve de novo o original assinado

Abrir um PDF assinado num editor e salvar, mesmo sem mudança visível, pode reescrever o arquivo e quebrar a assinatura. Na cópia salva, não dá para desfazer. Arquive o original exatamente como chegou, deixe-o somente leitura e leia e comente apenas uma duplicata.

Quanto vale uma assinatura eletrônica sem registro?

Pouco, para ser sincero. Então, o que é assinatura eletrônica simples, tirando o juridiquês? Um rótulo para uma vontade que a lei aceita com facilidade e que um juiz pesa pela prova que a cerca.

Esse também é o critério para qualquer ferramenta de assinatura. Julgue pelo registro que ela deixa, não pela aparência do traço:

  • Um registro de auditoria da assinatura com carimbo de tempo: quem abriu, assinou ou recusou, com e-mail e IP em cada etapa
  • Um hash do arquivo, para que qualquer alteração posterior apareça
  • Uma exportação que você guarda e abre sem o aplicativo do fornecedor
  • Um armazenamento que dure o mesmo que o prazo de guarda do documento, e não o mesmo que a sua assinatura do serviço

Veja o que a Chaindoc faz, já que você está lendo isto no nosso blog. Cada arquivo recebe um hash no envio. Quando você publica um documento, o hash dessa versão é gravado numa blockchain pública, e a prova de cada signatário é registrada quando a assinatura termina. O registro de atividade e um relatório de verificação saem em PDF, e os arquivos trafegam por TLS. Uma solicitação normal convida todos de uma vez; uma ordem fixa de assinatura vem pelas rotas de aprovação do plano Business.

Nada disso muda a lei. Muda o que você consegue mostrar quando alguém pergunta.

Combine o método antes de alguém assinar

A proteção mais barata contra uma assinatura recusada é uma cláusula: as partes concordam que as assinaturas eletrônicas, feitas do jeito que vocês vão mesmo fazê-las, as obrigam. Ela responde de uma vez à pergunta do consentimento e à do método, e é exatamente o tipo de aceite que o art. 10, § 2º, da MP 2.200-2 menciona. Se você trabalha com modelos de contrato, inclua a cláusula uma vez no texto padrão e esqueça o assunto.

Fontes verificadas para este guia

Situação da verificação das fontes: 14 de outubro de 2026. As normas mudam: confirme o texto vigente antes de se apoiar nele para um documento específico.

  1. 1.Regulamento (UE) n.º 910/2014 (eIDAS), versão consolidada · EUR-Lex, Serviço das Publicações da UEArt. 3.º, pontos 10 a 12, e arts. 24.º-A, 25.º e 26.º (versão de 18 de outubro de 2024)
  2. 2.Regulamento (UE) 2024/1183 (quadro europeu para a identidade digital) · EUR-Lex, Serviço das Publicações da UEAltera o eIDAS: o art. 24.º-A substitui o antigo art. 25.º, n.º 3
  3. 3.Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 · Presidência da República, PlanaltoArt. 10: documentos eletrônicos, presunção de veracidade com certificação ICP-Brasil (§ 1º) e outros meios admitidos pelas partes (§ 2º); verificado em 14/10/2026
  4. 4.Lei nº 14.063, de 23 de setembro de 2020 · Presidência da República, PlanaltoArts. 1º a 5º: âmbito, definição, os três tipos de assinatura (art. 4º) e níveis exigidos pelo poder público; verificado em 14/10/2026
  5. 5.Código Civil (Lei nº 10.406/2002), art. 107 · Presidência da República, PlanaltoA validade da declaração de vontade não depende de forma especial, salvo exigência legal; verificado em 14/10/2026
  6. 6.Código Civil (Lei nº 10.406/2002), art. 108 · Presidência da República, PlanaltoEscritura pública essencial para direitos reais sobre imóveis acima de trinta vezes o maior salário mínimo; verificado em 14/10/2026
  7. 7.Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), arts. 411 e 441 · Presidência da República, PlanaltoAutenticidade do documento, inclusive por certificação eletrônica, e admissão de documentos eletrônicos; verificado em 14/10/2026
  8. 8.Decreto-Lei n.º 12/2021, de 9 de fevereiro · Diário da República EletrónicoArt. 3.º (forma e força probatória) e art. 6.º (entidade supervisora); verificado em 14/10/2026
  9. 9.ICP-Brasil · Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI)A ICP-Brasil é a cadeia de confiança dos certificados digitais, e o ITI é a autoridade certificadora raiz; verificado em 14/10/2026
  10. 10.15 U.S.C. §7001 (ESIGN Act), regra geral de validade · U.S. Government Publishing Office, govinfoA forma eletrônica, por si só, não basta para negar efeito (a)(1); verificado em 14/10/2026
  11. 11.15 U.S.C. §7006 (ESIGN Act), definições · U.S. Government Publishing Office, govinfoDefinição de "electronic signature" no item 5; verificado em 14/10/2026
Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Respostas principais sobre a Chaindoc e fluxos seguros de assinatura de documentos.

É, se você digitou para assinar. Onde nenhuma lei exige forma especial, vale como assinatura eletrônica simples. O ponto fraco é a prova: um nome digitado não diz quem digitou. Guarde os e-mails ao redor.

Qualquer passo eletrônico que mostre que você concorda com um documento específico: nome digitado, clique em "Concordo", assinatura desenhada, código de uso único ou assinatura digital com certificado. Serve para firmar contratos, propostas e termos sem papel. O que importa é a intenção de assinar e a ligação com o documento. Quanto cada método aguenta numa disputa depende da prova que ele deixa.

Em regra, sim. O Código Civil não exige forma especial para a declaração de vontade (art. 107), a MP 2.200-2 admite outros meios de comprovar autoria e integridade quando as partes os aceitam, e o eIDAS proíbe negar efeito a uma assinatura só por ser eletrônica. Isso não obriga em qualquer caso: o contrato precisa dos requisitos de sempre, e você tem de provar quem assinou e que o documento não mudou. Em atos que exigem escritura pública, a assinatura eletrônica sozinha não basta. Para o contrato comum, quem decide quase sempre é a prova, não o nível da assinatura. Monte o registro de atividade antes de enviar, não depois da briga.

A MP 2.200-2 (art. 10) trata os documentos eletrônicos como públicos ou particulares, presume verdadeiras as declarações com certificação ICP-Brasil e admite outros meios aceitos pelas partes. A Lei 14.063 (art. 4º) classifica as assinaturas em simples, avançada e qualificada, pelo nível de confiança sobre identidade e vontade do titular, e regula o uso com o poder público.

É o nível intermediário. Pela Lei 14.063 (art. 4º, II), usa certificados não emitidos pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovar autoria e integridade admitido pelas partes, está associada ao signatário de forma unívoca, usa dados sob o controle exclusivo dele e torna detectável qualquer alteração posterior. Pesa mais como prova do que a simples, mas a presunção da MP 2.200-2 é do certificado ICP-Brasil.